Dom Geremias fala dos desafios e polêmicas na Arquidiocese de Londrina
15/04/2018 17:32 em Arquidiocese de Londrina
 
FÉ E CARIDADE - 'Preocupação social da Igreja sempre existiu'
 
Dom Geremias Steinmetz avalia trabalho frente à comunidade católica de Londrina e região e aponta desafios enfrentados pela denominação
 
Há menos de um ano no comando da Arquidiocese de Londrina, o arcebispo metropolitano dom Geremias Steinmetz tem enfrentado com otimismo os desafios da nova função. Promoveu mudanças nas paróquias, acolheu o 14º Intereclesial das CEBs (Comunidades Eclesiais de Base), evento que reuniu 3.000 pessoas em Londrina e tem procurado impulsionar trabalhos importantes como a Pastoral Social e a formação de novos padres. 
esta entrevista, dom Geremias Steinmetz, que é natural de Sulina (Sudoeste), detalha as atividades desenvolvidas na arquidiocese e destaca sua visão sobre temas como a liderança do papa Francisco e a necessidade que a Igreja Católica em dar mais atenção às periferias, tanto geográficas quanto "das almas", as existenciais. "Jesus mesmo disse: ‘Eu vim para que todos tenham vida e a tenham em abundância’ (João 10,10). Essa vida não é somente uma vida espiritual,mas também a Doutrina Social da Igreja, isto é, o ensinamento e visão magisterial da organização da sociedade humana. " A Doutrina Social da Igreja precisa ser cada vez mais vista, inclusive no trabalho das pastorais sociais", defende o arcebispo, que por mais de seis anos foi bispo na Diocese de Paranavaí, antes de ser designado para a Arquidiocese de Londrina. 
 
Como o sr. define o trabalho que tem desenvolvido à frente da Arquidiocese de Londrina? 
O primeiro grande desafio de agora em diante é promover, através de um grande diálogo, uma síntese pastoral. O 16º Plano Arquidiocesano da Ação Evangelizadora, que teve vigência de 2014 a 2017, foi "atropelado" pelo trabalho das Santas Missões Populares que aconteceram em vista da preparação ao 14º Intereclesial das CEBs (Comunidades Eclesiais de Base). Isso deu muito trabalho. De modo que nem foi possível colocar em prática todas as sugestões do 16º Plano. 
o meio disso tudo, veio uma grande novidade: o papa Francisco, com seu jeito muito sintético, muito prático de falar, cheio de inspiradoras sugestões. 
ssa caminhada de preparação tem sido realizada por meio de assembleias e pré-assembleias. Já teve uma pré-assembleia a respeito do 14º Intereclesial. Já teve suas conclusões. Teremos ainda uma assembleia sobre as Santas Missões Populares, e a última sobre o Plano de Ação Pastoral. 
lgumas coisas já estão em andamento. Por exemplo, a Pastoral da Vocacional, a formação dos futuros presbíteros nos seminários, que precisavam de um "up", para realmente ser um espaço da educação integral de novos padres. 
epois, as visitas às paróquias, com um intenso contato com os leigos, com palestra e encontros, em que não só o bispo fala, mas as pessoas também têm oportunidade de fazer perguntas ao bispo. Isso aproxima muito as pessoas do bispo e o bispo de cada comunidade, seja do centro da cidade, seja de outras regiões e até outros municípios. 
ão temos as respostas prontas. A participação dos padres ou das lideranças leigas no processo da assembleia arquidiocesana será de enorme valia para alcançarmos as melhores respostas e planejamentos no trabalho de evangelização dos próximos anos. 
 Igreja não caminha exclusivamente com as boas ideias que brotam da cabeça do bispo simplesmente, mas numa visão de Igreja de comunhão e participação, essas ideias vêm também da própria comunidade, ou seja, das nossas lideranças, dos padres, e assim por diante. 
enho o registro de todas as pessoas que conversaram comigo desde o dia 14 de agosto de 2017. As pessoas colocavam suas preocupações e, naquilo que eu pude ajudar, eu ajudei. Esse processo continua. Sempre vem muita gente para ser atendida, ouvida e acolhida. 
 
Quais as principais carências da comunidade londrinense? 
São várias as carências. Vamos dizer de maneira bem concreta. A Pastoral Familiar precisa de um grande impulso, precisa colocar-se mais dentro das grandes questões postas pelo papa Francisco no seu documento "Amoris Laetitia" [exortação apostólica publicada pelo papa Francisco em abril de 2016], cheio de sugestões interessantes sobre a dimensão e verdade da família. A Pastoral Familiar de Londrina precisa aproveitar mais o eixo desse documento que aborda realidades sofridas que exigem acolhida, esperança e fé. 
á uma enorme sede por formação litúrgico musical. No plano de ação evangelizadora anterior já se apontava o problema vocacional na arquidiocese, a falta de vocações. Em Londrina, faltam padres. Se tivéssemos mais padres, uns dez ou doze pelo menos, a gente teria espaços, que hoje estão carentes de sacerdotes, com padres disponíveis para trabalhar, atender e acompanhar com bastante dedicação. 
 
Mas essa carência não é exclusividade de Londrina. 
Não. Em Londrina estamos bem. Há dioceses com poucos padres. Existem dioceses aqui no Sul do Brasil que outrora eram celeiros de vocações e hoje não formam mais tantos padres. Então, na questão vocacional, Londrina tem esse problema, mas não tão grave quanto em outras regiões. 
 
A que o sr. atribui essa crise vocacional? 
As famílias hoje não conseguem com facilidade transmitir a fé. Não conseguem mais educar os filhos dentro de uma religião. A juventude hoje é muito mais livre, tem muito mais facilidade para ir às universidades, tem mais oportunidades de trabalho. Isso também contribui. 
or outro lado, a questão cultural que hoje estamos vivendo e enfrentando. Hoje o jovem tem dificuldade de dizer: "eu quero ser padre para sempre". Ou de dizer: "vou me casar e vou ficar casado para sempre". Isso não entra com serenidade na cabeça do jovem. Tanto é que os jovens casam menos, há menos casais casados na Igreja e há menos padres. 
recisamos impulsionar mais a catequese, reorganizar com coragem a base da catequese. Há muitas situações na catequese que não correspondem a uma unidade na arquidiocese, por exemplo, a metodologia catequética. Tudo isso são problemas que precisam ser solucionados. 
ambém a nossa Pastoral Social precisa ser mais organizada. Porque ser justo na caridade é uma coisa muito difícil. Caridade não é simplesmente dar ao outro o que ele quer, é dar ao outro aquilo que ele precisa para viver plenamente com a dignidade. Mas é muito difícil ter essa compreensão. 
 
Quais são as principais frentes da Pastoral Social? 
Temos, entre tantas frentes, por exemplo, a Cáritas Arquidiocesana, que trabalha muito com a educação, com os migrantes, campanhas ecológicas, arrecadação de alimentos e roupas, encaminhamentos profissionais. Também há muitas creches, escolas e asilos. Tudo isso é Pastoral Social. 
 preciso dar mais atenção às periferias das cidades. Em Londrina, temos uma periferia "da pesada". Precisamos de mais padres dedicados à periferia. O elemento humano que está na periferia tem outro modo de ver a realidade em comparação a quem está no centro da cidade e vive em um lugar mais protegido, mais confortável. Onde, por exemplo, o asfalto é mais bonito e as escolas são mais bem organizadas. Isso e outras características fazem muita diferença. 
 não esqueçamos que não é só Londrina. Temos Londrina, Cambé, Rolândia, Ibiporã. São praticamente uma só cidade. São quatro municípios, mas estão interligados. Dias atrás tive que ir a uma paróquia em Cambé. Saí da minha casa, entrei na BR, e já começou a indicar para sair para a direita, pois já era Cambé. Eu não sabia. Contudo, graças a Deus, o GPS conseguiu me orientar. 
 
 O sr. já percorreu bastante a periferia de Londrina? O que mais chamou sua atenção? 
Já fui em várias. O que percebo é muita gente na rua. Jovens sem nada para fazer. Estão na rua, quatro horas da tarde, fumando. Muitas crianças sem ninguém por perto. Tem também o problema da infraestrutura, as ruas mal cuidadas, as escolas mal cuidadas e que não conseguem dar as respostas necessárias. O problema habitacional é muito intenso. Pessoas que poderiam estar ativas no mercado de trabalho, mas que infelizmente não estão trabalhando por diversos motivos. Essas são algumas das carências. 
 
A preocupação social que o sr. demonstra tem também a ver com o fato do papa Francisco ser o líder da Igreja Católica? 
Essa preocupação sempre existiu. A Igreja, pregadora do Evangelho, percebe cada vez mais a importância de uma boa Pastoral Social, de uma convincente Pastoral Social. O Evangelho de Nosso Senhor Jesus Cristo é cheio de elementos que nos convocam para a Pastoral Social. Para olharmos para o pobre, para aquele que tem dificuldades e oferecer nosso amor e generosidade. 
 
O papa Francisco usa muito as seguintes expressões: periferia geográfica e periferias existenciais. O que são periferias existenciais? 
São os doentes, eles estão numa periferia existencial. E pior ainda os que não têm atendimento digno. Outra realidade de periferia existencial é o problema da depressão. Também a presença dos jovens no mundo das drogas. Além das pessoas que se sentem como que descartáveis. A pessoa não é deixada de lado porque não produz, ela simplesmente é deixada fora do processo, da sociedade. Esse é um grande problema, especialmente no mundo contemporâneo. 
 
Um exemplo é a crise migratória na Europa. 
Sim. São pessoas praticamente descartadas. São pessoas que não têm espaço na sua terra daí chegam a um novo país onde muitas vezes também não são aceitas. No Brasil também temos pessoas descartadas. É só ir às favelas que vemos os frutos dessa crise atual. 
 
O sr. promoveu mudanças nas paróquias e isso gerou repercussão entre a comunidade católica. Qual análise faz sobre essa questão? 
A repercussão foi normal, observando a situação em que encontrei essa questão. Quando começamos a falar nas transferências, percebemos o problema do tempo dos padres nas paróquias. Problema esse que precisou ser resolvido. 
s transferências foram necessárias para podermos dar continuidade aos trabalhos da arquidiocese, para promover um melhor atendimento nas paróquias ou até mesmo para promover novos trabalhos com criatividade, entusiasmo e seriedade. Para isso acontecer foram necessárias as alterações em algumas paróquias. 
odemos dizer que as 26 celebrações de posse em que presidi foram muito tranquilas e até mesmo festivas. As paróquias eram gratas por estarem recebendo padres novos e, ao mesmo tempo, gratas pelo trabalho que o padre anterior realizou com êxito e perseverança. Isso valoriza muito a caminhada da Igreja em Londrina. 
lgumas manifestações mais exaltadas ocorreram, mas, no geral, o povo agradece com louvor as transferências. O trabalho foi bem feito e tudo já está sistematizado, tudo está caminhando e vamos esperar com confiança e esperança os frutos dessa evangelização. 
 necessário ao padre dar essa renovada física, arejada pastoral, fortalecimento espiritual. Às vezes a longa convivência com a comunidade "puxa" o padre para baixo no seu conhecimento intelectual, na sua metodologia pastoral. O padre tem que se refazer, tem que ler mais, fazer novos amigos, refazer metodologias. E o povo também se renova em suas dimensões. 
 
Como o sr. avalia a participação de movimentos sociais na Igreja Católica nesse momento de ebulição política do País? 
Essa é uma questão muito interessante. A política partidária é pertencer a um partido político e labutar, lutar, pela ideologia desse partido. Assim acontece com todos os filiados a partidos. 
as temos que compreender também a outra política, o outro modo de ver política que é o da organização comunitária. Dos pobres, dos necessitados, da organização das pessoas para buscarem seus objetivos. Os conselhos municipais, organizações de agricultores, trabalhadores, estudantes, operários, as diferentes classes, pescadores, as pessoas sem moradia, precisam se organizar. A organização do povo é sinal de força da comunidade. Assim a manipulação é cada vez mais distante. 
or exemplo, defender a melhor distribuição de bens públicos para todos, é o pensamento de política que nós precisamos ter cada vez mais. É um modelo democrático. Como diz o papa Francisco, a política é uma das formas mais altas de exercer a caridade. 
s documentos da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) destacam a quinta urgência: a Igreja a serviço da vida plena para todos. Então a Igreja, como ela não é partidária, é muito procurada com os grupos de organização social que defendem a vida humana e o bem de todas as criaturas. É isso que se fala na sede da CNBB em Brasília. O quanto é procurada por partidos, pelo governo, por organizações sociais, pela Associação Brasileira da Imprensa, pela OAB (Ordem dos Advogados do Brasil), por organizações de ribeirinhos da Amazônia, por associações de pescadores do Rio de Janeiro e do Espírito Santo, pelo agronegócio, por sindicatos, por todos. Todos querem uma palavra da CNBB sobre suas grandes questões e desafios. 
Isso também foi levado em conta no 16° Plano Arquidiocesano de Ação Evangelizadora de Londrina. A Igreja a serviço da vida. Promover a opção pelos pobres, incentivar a dimensão profética, despertar a consciência política sem partidarismos. Defender a vida desde o surgimento até o seu fim natural. O por que a Igreja se posiciona contra o aborto, contra a eutanásia? Porque é o início da vida e o fim da vida. 
uantas pessoas se organizam ao redor de doentes, de portadores do HIV, de pessoas com câncer, de pessoas com outras doenças, com depressão, das pessoas sem casa, sem terra. São problemas que precisam ser levados em consideração na caminhada pastoral da Igreja, como continuadora da obra salvífica de Cristo. 
ma das grandes questões sempre presente em todas as paróquias: o dízimo. O dízimo tem uma dimensão social. Aquele dízimo que as pessoas apresentam mensalmente com fé, esforço e generosidade tem uma dimensão social. Parte dele é aplicada em projetos sociais das paróquias. É uma ação importante e evangelizadora para a vida das comunidades. 
 
Qual a sua avaliação sobre o trabalho do papa Francisco? 
A bandeira pela qual o papa Francisco tem muito apreço é a bandeira do Concílio Vaticano II, da abertura maior para o mundo por parte da Igreja, do papel social da Igreja. Por exemplo, o papa Francisco fala em seu discurso que todos os homens têm direito a moradia, terra e trabalho. Esse é um anúncio e uma denúncia que sempre esteve na Igreja e o Concílio Vaticano 2º deixou ainda mais claro de acordo com os seus documentos. Com isso, acabou crescendo e se desenvolvendo também a dimensão social da Igreja. Há uma enorme resistência a essas questões, mas são questões que estão implícitas no Evangelho de nosso Senhor Jesus Cristo. 
ssim como temos na "Gaudium et Spes", documento do Concílio Vaticano II, certamente, a missão própria confiada por Cristo à sua Igreja, não é de ordem política, econômica ou social: o fim que lhe propôs é, com efeito, de ordem religiosa. Mas desta mesma missão religiosa deriva um encargo, uma luz e uma energia que podem servir para o estabelecimento e consolidação da comunidade humana segundo a lei divina. E também, quando for necessário, tendo em conta as circunstâncias de tempos e lugares, pode ela própria, e até deve, suscitar obras destinadas ao serviço de todos, sobretudo dos pobres, tais como obras caritativas e outras semelhantes em vista do bem comum. 
Sendo assim, Igreja precisa apresentar sua mensagem de Fé e Verdade para o mundo da economia, para o mundo da organização social, da política e assim por diante. Infelizmente, não é fácil fazer com que todo o corpo eclesial consiga se entender nesse campo. A visão política que temos no Brasil não é a mesma que há na Argentina, na Alemanha, na Itália, na França, na África. As concepções políticas que as pessoas têm são distintas. Com efeito, a pessoa humana, uma vez que, por sua natureza, necessita absolutamente da vida social, é e deve ser o princípio, o sujeito e o fim de todas as instituições sociais. Nesse sentido, o papa fala de maneira universal. 
 papa Francisco é muito perseverante, está dando ótimos e sábios passos na Igreja presente em todo o mundo. Ele fala com muita propriedade e com muito proveito sobre as questões de vida, dignidade e moral. As novidades que ele vem trazendo pouco a pouco estão se tornando realidade. A Igreja é uma instituição mundial e para que os belos sábios passos cheguem à base das comunidades há todo um trabalho que precisa ser feito. 
 
Qual a sua análise sobre as polêmicas em relação ao suposto engajamento político no 14º Intereclesial das CEBs, realizado em Londrina no final de janeiro? 
O 14º Intereclesial das CEBs foi um sucesso do ponto de visa da organização, da logística, dos espaços, das plenárias, das mini plenárias, da reflexão, dos questionamentos. Tinha uma temática muito importante para a realidade em que vivemos, que são as comunidades eclesiais de base e os desafios do mundo urbano. O Brasil hoje é urbano. Mais de 80% da população vivem nas cidades. O fato é que nem todas as pessoas conseguem usufruir das riquezas da urbanidade. 
Muitas pessoas sofrem as consequências negativas do urbano: a violência, a falta de transporte, a baixa qualidade das escolas. O problema das favelas, o problema dos relacionamentos humanos, as intolerâncias, as brigas. Muitas pessoas só vivem isso. 
s CEBs anunciaram que o urbano é para todas as pessoas. Todas as pessoas devem ter direito de usufruir das maravilhas do mundo urbano. A cidade atrai as pessoas, pela luminosidade, pela grama cortadinha, pelo lago, pelo asfalto, pelas ruas limpas. 
As CEBs são um movimento social-político. No evento, havia participação político-partidária. A maioria participa de organizações sociais, tais como sindicatos, associações de bairros, de agricultores, de pescadores, em defesa da ecologia, ribeirinhos, conselhos de direitos dos municípios. Essa participação é incentivada pelas CEBs. A evangelização dos pobres exige passar por suas lutas em defesa da vida humana. E é muito bom que a Igreja Católica esteja presente em organizações que defendem a vida, a família, as crianças, os jovens, os idosos, os pobres. 
Nós, da CNBB, somos chamados para estarmos mais presentes nos conselhos de direitos dos municípios, conselho da criança, do idoso, do jovem, da saúde. O conselho municipal de saúde, por exemplo, se fizer bem o seu trabalho, tem o poder de exercer forte influência sobre a administração pública. Isso não é política partidária, mas é política em sentido pleno e natural. 
No entanto, fugiu do controle da organização das CEBs que o evento em Londrina coincidiu com a marcação do julgamento do ex-presidente Lula em Porto Alegre. O 14º estava marcado muito antes da marcação do julgamento de Lula. 
Havia três propostas para se dar uma certa visibilidade a essa questão. Primeira: fazer uma passeata pelo centro de Londrina naquela quarta-feira de manhã. Essa proposta não foi aprovada. Outra era um abraço no ginásio de esportes Moringão, o que foi feito. Depois, uma terceira proposta, que foi aprovada, era a palavra de alguém em defesa da democracia. As CEBs não são partidárias, mas são democráticas. 
O que foi aprovado: alguém diria alguma coisa em defesa da democracia e seria feito um minuto de silêncio. E é isso que foi feito. Quem falou em defesa da democracia foi o Frei Betto e foi feito um minuto de silêncio. Essa foi a manifestação política. 
Contudo, diante do contexto de intolerância que se desenvolveu em Londrina, eu pedi que faixas de apoio a partidos fossem retiradas do ambiente onde as principais atividades do evento estavam sendo realizadas. A polêmica foi construída. Mas eu continuo sereno e esperando os que tanto acusam a arquidiocese, o arcebispo, as CEBs,para que possam vir conversar, olho no olho. Vamos conversar sobre os Evangelhos, sobre o Concílio Vaticano II, sobre os papas, João 23, Paulo VI, João Paulo I, João Paulo II, Bento XVI e especialmente o papa Francisco e vamos então discutir a eclesiologia que eles nos apresentam. 
Nós estamos trabalhando seriamente e vamos continuar trabalhando com fé, esperança e caridade, nós não vamos desistir. A Igreja sabe a sua missão. O arcebispo de Londrina conhece muito bem a sua missão. Essa provocação, vamos dizer assim, está aberta. Mas vamos discutir qual é a melhor eclesiologia. Sem radicalismos, sem falsas acusações, vamos ver exatamente o que a Igreja espera, enquanto peregrina nesse mundo. 
 
O sr. nunca foi procurado para conversar? 
Pelos autores das acusações e polêmicas, não. 
 
Qual sua avaliação do papel da Igreja no contexto político. 
A CNBB recebe com respeito e discernimento pessoas de todas as causas, é muito procurada em Brasília. E sempre se coloca a favor do diálogo, para que o País encontre o caminho da justiça, da democracia plena, das políticas sociais justas. A Igreja não é partidária e nunca será refém de partidos. A Igreja, em virtude do Evangelho que lhe foi confiado, proclama os direitos do homem e reconhece e tem em grande apreço o dinamismo do nosso tempo, que por toda a parte promove tais direitos. Este movimento, porém, deve ser penetrado pelo espírito do Evangelho, e defendido de qualquer espécie de falsa autonomia.
Fernando Rocha Faro
 
Fonte: Folha de Londrina
 
COMENTÁRIOS
Comentário enviado com sucesso!