Passos Concretos no combate a abusos de menores por clérigos
25/02/2019 08:38 em Igreja

No último briefing, anunciadas as primeiras iniciativas concretas

Briefing no Instituto Patrístico Agostiniano

Último briefing, no Instituto Patrístico Agostiniano, dedicado ao Encontro "A Proteção dos Menores na Igreja". Anunciados, entre outras coisas, um novo Motu Proprio do Papa Francisco e a criação de uma “força-tarefa”

 

Um novo Motu Proprio do Papa Francisco "sobre a proteção dos menores e das pessoas vulneráveis",  que acompanhará uma nova lei do Estado da Cidade do Vaticano e as Diretrizes para o Vicariato da Cidade do Vaticano; a publicação pela Congregação para a Doutrina da Fé de um manual que irá "ajudar os bispos do mundo a compreender claramente seus deveres e suas funções" e ainda, a criação de "forças-tarefa" para "ajudar Conferências episcopais e as dioceses" em dificuldades.

Durante o quarto e último briefing dedicado ao Encontro  "A Proteção dos menores na Igreja", padre Federico Lombardi, presidente da Fundação vaticana Joseph Ratzinger - Bento XVI,  moderador do encontro, pede perdão pelos crimes de abuso cometidos e descreve os primeiros sinais claros de que o caminho da defesa das crianças continua e permanece como sendo uma prioridade na Igreja.

Aos jornalistas presentes no Augustinianum, o jesuíta reitera que "responsabilidades", "prestações de conta" e "transparência" são as palavras que mais ecoaram nos últimos dias na Sala do Sínodo e que permanecem a bagagem que os participantes levarão consigo.

Trata-se agora de fazer um concreto "follow-up", que já amanhã terá como protagonistas membros da Comissão organizadora e responsáveis dos dicastérios da Cúria Romana mais envolvidos neste horizonte, para dar prosseguimento às muitas ideias e propostas expressas.

 

A verdade não pode ser traída

 Também o cardeal Oswald Gracias, arcebispo de Bombaim, presidente da Conferência Episcopal da Índia e membro da Comissão organizadora, fala dos frutos destes dias transcorridos ​​no Vaticano, juntamente com patriarcas, cardeais, arcebispos, bispos, superiores religiosos e responsáveis de todo o mundo.

"Volto para casa", assegura ele, "com a consciência de que a proteção dos menores" deve ser objeto de "esforço contínuo" por parte de todos nós: a Igreja, “aprendendo com os erros do passado, deve estar na linha de frente, deve ser um modelo".

 

Acobertamento de casos de abuso é crime

 Dom Charles J. Scicluna, arcebispo de Malta, secretário adjunto da Congregação para a Doutrina da Fé e membro da Comissão Organizadora, ressalta ainda a "mudança de coração" e o sentido de "peregrinação" experimentados. Uma mudança de perspectiva que levou a reconhecer como "o abuso cometido contra um menor" é "um crime ultrajante", como "o seu acobertamento."

"Durante décadas, temos nos concentrado em crimes - insistentes - mas agora chegamos à conclusão que o acobertamento é da mesma forma ultrajante. E acho que esse é um ponto muito importante".

 

Valentina Alazraki: mais transparência na comunicação sobre abusos

 O prelado de Malta recorda mais uma vez, a importância de ouvir as vítimas e demonstrar apreço pelas intervenções das mulheres, "uma lufada de ar fresco" para prosseguir "na direção certa". Um agradecimento dirigido também a Valentina Alazraki, jornalista e escritora, correspondente da emissora mexicana Noticieros Televisa e conferencista do encontro. Além de mencionar a questão da transparência, ela esclarece as relações que deveriam existir entre jornalistas e membros da Igreja, quase uma aliança. Trata-se de uma questão de colaboração, acrescenta, sem "no comments" e "silêncios", para chegar a "uma informações correta e rápida em um curto espaço de tempo".

 

Sem déficit de comunicação

 A importância de "escutar com franqueza, com a linguagem da verdade e sem preconceitos" é por fim sublinhada por Paolo Ruffini, prefeito do Dicastério para a Comunicação. Infelizmente, não raro, as más notícias são mais seguidas do que as boas, mas não se deveria perder a capacidade de "ver e contar o bem, o belo, o bom".

"Ninguém é perfeito", diz ele, referindo-se a alguns conteúdos das perguntas e respostas após a conferência de Valentina Alazraki,  e é perigosa "a pretensão de sê-lo". "A verdade", conclui, "é um ponto de chegada que exige coragem e não admite nem privilégios nem preconceitos, nem atalhos nem becos sem saída ou acobertamentos. Ela pede coragem no dizer e no ouvir .

 

Fonte: Vatican News

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