Será possível o sacerdócio feminino na Igreja Católica Romana?
23/09/2019 09:44 em Igreja

Cardeal espanhol sobre ordenação de mulheres: “Não podemos mudar a fé cristã”

PRIEST BEING ORDAINEDRoman Catholic Archdiocese of Boston | CC BY ND 2.0

 

 

"Ninguém pode sentir-se dono da fé. Se é a cultura que decide o que é válido na fé, então estamos dizendo que Jesus Cristo não aconteceu"

No começo deste mês, o cardeal alemão Reiner Maria Woelki, arcebispo de Colônia, reiterou com toda a clareza que, na Igreja Católica, as mulheres não podem receber o sacramento do sacerdócio, conforme já foi explicitado em 1994 pelo Papa São João Paulo II e reforçado enfaticamente pelo Papa Francisco em diversas ocasiões – uma das quais em 2016, a bordo do avião que o levava da Suécia para Roma, quando o Santo Padre reforçou:

“Sobre a ordenação de mulheres na Igreja Católica, a última palavra é clara: foi dada por São João Paulo II e permanece em pé”.

Agora foi o cardeal espanhol Antonio Cañizares, arcebispo de Valência, quem desmentiu boatos de que o Papa Francisco aprovaria a ordenação sacerdotal ou diaconal das mulheres. Cañizares garantiu aos fiéis que nenhum contexto cultural nem a opinião da maioria poderá alterar a doutrina sobre o sacerdócio, que é “irreformável”.

O cardeal publicou em 18 de setembro, no jornal La Razón, o artigo “Ordenação sacerdotal de mulheres?“, no qual recorda que “a Revelação aconteceu de maneira irrevogável e definitiva em Jesus Cristo” e que a Tradição da Igreja atualiza, mas não cria nem modifica essa Revelação.

 

Alguns trechos:

“A revelação é baseada na manifestação do próprio Deus em pessoa através dos acontecimentos, além das interpretações e decisões do homem. Por isso, assim como não é obra do homem a Revelação, à qual também pertencem os acontecimentos, sobretudo o Acontecimento único e irrepetível de Jesus Cristo, assim também não está em nossas mãos modificá-la de acordo com as experiências humanas, as situações sociais e históricas ou as diversas culturas”.

“Ninguém pode dispor da fé e da vida cristã, nem sentir-se dono ou senhor dela. Não podemos mudar seus elementos essenciais de acordo com os movimentos mutantes da história ou com as ‘exigências’ de um determinado tempo ou cultura. Isto só seria possível se a fé fosse produto da especulação e criação dos homens. Mas não é. Quando a cultura é transformada em critério e medida da fé, coloca-se em questão o próprio fundamento da fé”.

“Se a cultura é o que decide o que é válido e o que não é na fé e na vida da Igreja, então estamos dizendo que Jesus Cristo não aconteceu. Sua Pessoa, Suas obras, Seus gestos não teriam valor definitivo de Revelação última e plena. Nesse caso, não seria Ele a Palavra de Deus feita carne, na qual Deus nos disse tudo; teríamos que esperar por outra revelação; não estaríamos salvos”.

“É isto o que está em jogo na ordenação sacerdotal da mulher. É uma questão que pertence ao âmago da fé. Por isso, mesmo que quisesse, a Igreja não poderia fazer nada exceto seguir o que Cristo fez e que está registrado nas Escrituras Sagradas. Ele elegeu Seus Apóstolos apenas entre os homens”.

São João Paulo II já esclareceu o assunto de modo definitivo

Na carta apostólica “Ordinatio Sacerdotalis“, o Papa polonês destacou:

“A ordenação sacerdotal, pela qual se transmite a missão que Cristo confiou aos seus Apóstolos de ensinar, santificar e governar os fiéis, foi, na Igreja Católica, desde o início e sempre, exclusivamente reservada aos homens. Para que seja excluída qualquer dúvida neste assunto de máxima importância, que pertence à própria constituição divina da Igreja, em virtude do meu ministério de confirmar os irmãos, declaro que a Igreja não tem absolutamente a faculdade de conferir a ordenação sacerdotal às mulheres e que esta sentença deve ser considerada como definitiva por todos os fiéis da Igreja”. 

Mais claro, impossível.

 

fonte: ACIDigital

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